




Para começar a escrever sobre a proposta, tenho que dizer que o projeto surgiu de minha condição de estrangeira aqui no Brasil, e de uma preocupação cotidiana com a que aprendi a conviver todos os dias, mas que levantou algumas perguntas com as que decidi trabalhar.
Sou da Colômbia, de Bogotá, uma cidade menor que São Paulo. Na Colômbia a moeda usada é o peso colombiano. A relação com o real é de um a um. Um real são 1000 pesos, só que em realidade essa conversão, desde aqui, não é tão simples porque a transação deve passar por dólares, ou seja, os pesos colombianos têm que se - trocar por dólares e os dólares se convertem em reais. Aí a relação entre as duas moedas muda e o real cobra força. Pensando nesta operação matemática quis materializar essa estranha especulação monetária que me afetava, e que na verdade há mais de um ano que esta afetando fortemente ao setor econômico do mundo inteiro.
Para tal exercício arrumei três notas, uma de mil (1000) pesos colombianos, uma de um (1) dólar, e outra de um (1) real. A ação foi a seguinte: com borrachas para lápis, brancas e correntes, comecei apagar cada uma das notas. O lixo da borracha foi acumulado e guardado, cada nota ficou quase em branco com tudo seu valor ao um lado fazendo uma grande montanha de lixo de borracha que tem as diferentes cores das diferentes notas.
O trabalho, embora de ter surgido de uma questão “invisível”, pois os valores de troco são concebidos desde a especulação, virou num resultado físico e material. O lixo da borracha é um indicio, tanto de uma ação física como de um contexto em que a economia mundial se debate. O valor do dinheiro, em sua concepção social, se perde e se coloca em evidencia sua condição física (um papel impresso), mas ganha o valor da matéria, que em vez de ser seu peso em ouro, é seu peso em resíduos do mesmo objeto que os apagou.
Dentro da instalação se incluem as notas que me foram dadas em cada compra que eu fiz nas casas de cambio; aí se colocam de fato as cifras trocadas e a quantidade de dinheiro que se “perde” em cada transação. Esse assunto de perdida é uma pergunta que jogo sobre a mesa, porque entre mais trocos menos dinheiro é, e é estranho porque o dinheiro existe, mas fica no ar, quero dizer, é uma cifra que ninguém vê, que ninguém percebe de fato e que só esta registrada em uma nota fiscal de troco.(proyecto en proceso)